Dia 10 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, data central da campanha Setembro Amarelo, que tem como objetivo ampliar a conscientização sobre prevenção, saúde mental e valorização da vida. O Ministério da Saúde trata o suicídio como um fenômeno multifatorial e coletivo, que envolve não só aspectos psicológicos e biológicos, como também questões culturais, sociais e socioambientais.
Isso significa que falar de saúde mental também é falar de garantia de direitos, acesso ao mercado de trabalho, inclusão social, moradia digna e segurança alimentar. E quando pensamos em famílias e cuidadores de pessoas com deficiência, ainda é preciso considerar a importância das redes de apoio e acolhimento.
É a partir desse olhar que a APAE Rio também desenvolve ações voltadas ao fortalecimento das famílias. Familiares e cuidadores dedicam grande parte do seu tempo ao cuidado contínuo, e a rotina, as responsabilidades e os desafios do dia a dia podem impactar diretamente sua saúde mental e bem-estar. Por isso, atividades como rodas de conversa, grupos de convivência, oficinas e passeios externos são desenvolvidas com o objetivo de promover acolhimento, escuta e cuidado às famílias.
Cuidadores de pessoas com deficiência enfrentam responsabilidades constantes, precisando conciliar cuidado, trabalho, vida pessoal e relações, ou, muitas vezes, abrindo mão de alguns aspectos da própria vida. Por isso, podem experimentar sobrecarga, isolamento e exaustão mental.
Uma revisão sistemática e meta-análise publicada em 2021 identificou associação entre ser familiar de uma pessoa com deficiência e maior risco de sintomas de depressão e ansiedade, relacionados, entre outros fatores, às demandas de cuidado e à questões financeiras.
Outro estudo publicado em 2021 revelou que mães de pessoas com deficiência intelectual apresentam indicadores de pior saúde mental, incluindo ansiedade, depressão, estresse parental e sobrecarga emocional.
Segundo dados do IBGE divulgados na última sexta-feira (18), 30,1% das crianças e adolescentes na faixa de 2 a 17 anos residiam somente com a mãe ou a madrasta, as quais tendem a apresentar menor nível de ocupação no mercado de trabalho. Os dados ainda demonstram que 35,1% das crianças e adolescentes com deficiência viviam abaixo da linha da pobreza.
Esse cenário representa um contexto de vulnerabilidade social, principalmente considerando que as condições de vida e o acesso a direitos básicos são fatores essenciais para o bem-estar.
Os dados evidenciam a importância de espaços de escuta e apoio para quem cuida. Na APAE Rio, o setor de Assistência Social trabalha a partir da lógica da matricialidade sociofamiliar, colocando a família como eixo central de todas as ações. Por isso, ouvir, reconhecer suas necessidades, oferecer espaços de acolhimento e fortalecimento de vínculos e construir uma rede de apoio fazem parte do papel da APAE Rio no cuidado com as famílias.
O bem-estar e a saúde mental de familiares e cuidadores de pessoas com deficiência precisam ser pensados de maneira ampliada, envolvendo comunidade, serviços de saúde, instituições, políticas públicas e espaços de convivência. Ou seja, é preciso que exista uma rede com diversas frentes de apoio, ao invés de apenas uma solução isolada.
Na APAE Rio, a saúde mental e a qualidade de vida das famílias são parte essencial do processo de inclusão da pessoa com deficiência. Cuidar de quem cuida importa.